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Antonio Carlos Costa
DevocionalTeologia

A FÉ SEM ALMA É MORTA

By 5 de junho de 2015 No Comments

IMG_4982Para compreendermos a essência do cristianismo é fundamental que entendamos a relação entre fé e amor.

A fé é o que nos permite tomar posse do perdão gratuito de Deus. Não é ela que nos salva. A fé significa as mãos vazias de boas obras a fim de que recebamos a salvação que o evangelho oferece aos humildes de espírito -aqueles que assumiram sua bancarrota espiritual e nada trazem nas mãos a fim de recomendar sua vida a Deus. Somos salvos pela graça de Deus mediante a fé somente.

A fé salvadora, contudo, nunca está só. Vem sempre acompanhada de obras que a autenticam. Somos justificados pela graça de Deus mediante uma fé que precisa ser justificada pelas obras. A fé sem obras é morta. Ser mau porque Deus é muito bom não faz parte da natureza da fé verdadeira.

Cumpre-nos, portanto, perguntar: se a fé sem obras é morta, qual a principal obra da fé? A resposta de inúmeras passagens bíblicas não deixa dúvida: o amor. Aquele sentimento que nos leva a viabilizar a vida de todo aquele que a providência divina põe em nosso caminho. 

O amor tem várias facetas. Pode assumir as formas de paciência, perdão e generosidade. Há uma, entretanto, que se destaca no cristianismo por ser basilar -a misericórdia. A misericórdia é aquela expressão do amor que nos leva a nos compadecer dos que sofrem e socorrê-los, especialmente, quando não podem fazer nada por si mesmos para se livrarem do seu infortúnio.

O amor não salva, mas ninguém entrará no reino de Cristo sem amor.

A verdadeira evangelização, sendo assim, jamais produzirá andróides. Num país de miséria como o nosso, o amor misericordioso sempre nos levará a socorrer os que mais sofrem, e que na sua dor encontram-se em estado de desamparo e impotência. Ser cristão -no Brasil- significará servir aos miseráveis, que encontram-se espalhados por todo o território nacional.

As igrejas, movidas por essa compaixão, deveriam fazer um mapeamento dos bolsões de miséria das cidades onde se encontram, a fim de que os carentes da solidariedade humana tenham suas necessidades atendidas por meio da filantropia, da pressão política e da evangelização.

Essa é a principal questão moral do presente momento da nossa história. Os misericordiosos o sabem.

 

Antônio C. Costa

Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

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