Política

CONGRESSO NACIONAL NÃO TEM AUTORIDADE MORAL PARA CONDUZIR PROCESSO DE IMPEACHMENT DA PRESIDENTE DILMA

By 2 de dezembro de 2015 No Comments

VassourasbrasiliaREUTERSO país acabou de saber que o presidente da Câmara dos Deputados Federais deflagrou processo de impeachment da presidente da República. 

Estou entre aqueles que olham para o trabalho da presidente Dilma com a mais profunda insatisfação. O governo PT viu mais de 600 mil pessoas serem assassinadas no Brasil nos últimos 12 anos e, até hoje, não apresentou um plano nacional de segurança pública, nem meta de redução de homicídio. A Síria é aqui. 

Poderia falar sobre os problemas gravíssimos que enfrentamos nas áreas da saúde, educação, saneamento básico, somados à crise econômica e aos escândalos de corrupção. Creio também que nossos problemas econômicos serão resolvidos com o fim da crise política. Não temos uma presidente à altura da grandeza e complexidade do país. 

Democracia é presente dos céus que não foi conquistado sem lutas travadas por homens na terra. A liberdade política, que necessitou o sangue das gerações passadas para ser conquistada, representa hoje, para as nações livres, ser governado mediante consentimento e não pela via do terror.

Não podemos, por mais insatisfeitos que estejamos, pisotear a democracia a fim de resolvermos problemas políticos e econômicos. A democracia é meio e fim. Conquistas políticas que respeitam os valores democráticos são mais profundas e duradouras. 

Gostaria de expressar três preocupações democráticas, após a decisão tomada hoje pelo deputado federal Eduardo Cunha:

1. O impeachment deve estar baseado em evidência e sujeição à Constituição Federal. 

2. Não podemos nos esquecer do risco de conflitos civis nas ruas, com grande prejuízo para a ordem pública, caso a deposição da presidente ocorra ao arrepio da lei. 

3. O Congresso Nacional não terá credibilidade para conduzir processo tão vital para milhões de brasileiros caso o deputado Eduardo Cunha e o senador Renan Calheiros continuem à frente do nosso parlamento. É rematada loucura permitir que homens sobre cujas vidas pesam as mais graves acusações, encaminhadas pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, conduzam a mais importante decisão da história recente da nossa democracia.

Já é notícia no mundo inteiro que foi aberto processo de impeachment da presidente da maior democracia da América Latina. Que não deixemos transparecer que somos uma república das bananas.

Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

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