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Antonio Carlos Costa
Teologia

CRIATURA MORTAL

By 17 de novembro de 2008 No Comments

Salta aos olhos o fato de que o desafio que Cristo faz aos seus discípulos vem acompanhado das melhores razões para aceitá-lo. Cristo chama-os para viver uma vida de completa confiança no cuidado de Deus. Uma rendição total. Obviamente, provisão haverá de ser feita por esses homens para o futuro. Eles haverão de considerar os perigos da vida e a necessidade de viver com prudência. Mas, não permitirão que, em tendo feito o que lhes compete fazer, seus corações duvidem da fidelidade divina. Suas mentes não se manterão absortas nas possibilidades trágicas que cercam a vida de um homem.

Note que Cristo não ensina que seus discípulos não devem pensar de modo algum em comida, bebida e vestuário. O que Cristo lhes pede é que não se permitam dominar pela dúvida quanto ao fato de que Deus coroará seus esforços para viverem com dignidade. Poderíamos ir mais longe. Há uma promessa implícita de que Deus haverá de fazer por eles o que eles não podem fazer por si mesmos, pois muito daquilo de que dependem para viver escapa-lhes ao controle. Em certo sentido, tudo lhes foge ao domínio. Encontram-se num estado completa dependência de um universo que não está sujeito à sua vontade. Um praga pode destruir seus campos, um seca pode acabar com suas fontes de água e uma crise econômica mundial pode torná-los miseráveis.

É muito interessante observar esse fato da criação de Deus. O homem não basta a si mesmo. Ele precisa de algo que é exterior a ele para que possa viver. Deus poderia ter criado o homem de modo diferente. Autônomo e sem necessidade de combustível – algo que seja ingerido para que se tenha energia e faça o organismo funcionar.

Um ser com traços de realeza, no entanto, e que haveria um dia de se tornar propenso ao mal, teria que ser diariamente lembrado da sua condição de criatura-mortal para aprender a não ser arrogante. Nós precisamos de comida, água e roupa! A terra sobre a qual andamos e da qual somos constituídos é a mesma de cujos frutos dependemos para nos manter vivos. É como ter que viver com um balão de oxigênio ao lado. Aliás, de uma certa forma, vivemos num imenso balão de oxigênio. Estamos presos à Terra e à sua atmosfera. Se um dia conseguirmos habitar em outros planetas, ainda assim vamos depender do que é criação de Deus para viver. Na Lua, em Marte ou em outro planeta qualquer vamos ter que orar sempre: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”.

Extraído do livro que estou preparando para lançar no Natal: Ansiedade: Quando o homem duvida do caráter de Deus.

Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

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