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Antonio Carlos Costa
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DEMOCRACIA DE ESPECTADOR

By 5 de agosto de 2015 No Comments

IMG_0023Milhões de brasileiros vivem como meros espectadores das decisões tomadas pela classe governante do país. Democracia, na prática, só é vivida pelos que detém o poder político. Esses decidem. Na maioria das vezes, sem o mínimo espírito republicano, transparência, competência e prestação de contas. Por isso, amargamos o 79º lugar, entre as nações do planeta, em Índice de Desenvolvimento Humano. Vivemos mal. Basta andar pelas ruas para ver. Quem conhece a favela e o sertão, pira.

Temos uma presidente, por cuja preservação do mandato devemos lutar enquanto não houver provas do seu envolvimento com os atuais escândalos de corrupção, que não consegue se comunicar com o país. Até agora, ninguém conhece seu plano de governo. O que já foi realizado este ano? Com base em quais objetivos e planos? Repetiu-se o fracasso de 2013, quando não foram cumpridas mais de 40% das promessas de campanha feitas em 2010? Mas, o que esperar se a meta é não ter meta?

Será que ela cogita, como ato de bravura, desapego e amor; largar o cargo se o quadro político-econômico se tornar mais caótico do que está? Não se fala em outra coisa nas ruas que não seja a crise atual, que tem levado aos desespero milhões de famílias, entre as quais, muita gente pobre.

No Rio de Janeiro, estamos a exatamente um ano do início dos Jogos Olímpicos. Evento a ser realizado com verba pública. Um belíssimo legado será deixado para a cidade. Contudo, não para a cidade como um todo. Milhões de pobres não colherão nenhum benefício dessa competição esportiva, especialmente, quando pensamos do ponto de vista das necessidades mais urgentes de quem vive em bairros sem rede de esgoto, habitando em barraco, convivendo com ratazana e enterrando parente assassinado.

A Olimpíada é um problema moral. Por que? Porque investimento de verba pública dever seguir uma agenda de prioridade. Nada é mais prioritário do que cuidar dos historicamente invisíveis que vivem em meio a miséria assustadora.

Quando começamos em 2007 o Rio de Paz, fui entrevistado por um jornalista de uma grande revista americana. Ao término da nossa conversa, fiz o papel de entrevistador e lhe apresentei a seguinte pergunta:
– "O que você acha que falta aos movimentos sociais no Brasil?" Ao que ele me respondeu:
– "O problema de vocês e que vocês vão para a rua e depois somem".

Saí daquela conversa certo de que a sua análise era perfeita. Nossas ações são espasmódicas, e espasmo cívico não muda a história. Dar continuidade, nas ruas, às manifestações de junho de 2013 é condição indispensável para que vençamos essa crise política, econômica e moral.

Já sofremos nas mãos de coronéis, imperadores, reis, ditadores e generais. São mais de 500 anos de desmando, opressão e abuso de autoridade. O inaceitável é, em plena democracia!, recebermos o mesmo tratamento do passado por parte de quem nos governa no presente, contudo, agora, na condição de representante seu e meu.

Antônio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

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