Teologia

DESEJOS QUE SE ADAPTAM AO UNIVERSO

By 16 de dezembro de 2008 No Comments

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Após levar os seus
discípulos a olhar para o céu e para além dele, Cristo chama-os a considerar o
homem. Este ser que quer viver e ter suas necessidades supridas. Capaz de
“semear, colher e armazenar” e que ao mesmo tempo duvida do caráter de Deus,
entregando-se por completo às preocupações. O que Cristo tem a falar sobre o
homem?

Esta
passagem nos fala sobre antropologia bíblica (Mt 6). O homem é apresentando como um
ser que deseja viver. Possuidor de desejos instintivos. Ao mesmo tempo ele é
revelado como dependente do restante da criação, por meio da qual sua vida é
mantida. Criado com necessidades básicas para cujo suprimento depende de algo
externo a ele, o homem é capaz de divisar na natureza aquilo de que necessita
para se manter vivo. Seu corpo precisa de líquido e há água. Seu estômago
carece de comida é há alimento. Sua pele necessita de roupa e há matéria-prima
na natureza para fabricá-la. Essa conexão entre necessidade e suprimento
externo levou C. S. Lewis a expressar a confiança de que podemos ir mais longe
e dizer que as aspirações metafísicas do homem são a indicação segura de que
também há um suprimento para elas. Para o desejo de eternidade há uma salvação
eterna. Para o anelo pela existência de um ser pessoal que lhe ofereça segurança
e seja objeto de eterna contemplação em razão da perfeição da sua beleza, há um
Deus infinito nas suas virtudes e pessoal. Diz Lewis:

A despeito de tudo…
permanecemos conscientes de um desejo que nenhuma felicidade natural é capaz de
satisfazer. Mas haverá alguma razão para supor que a realidade ofereça alguma
satisfação para esse desejo? ‘Nem a fome prova que existe pão’. Penso, no
entanto, que não se trata disso. A fome física de um homem de um homem não
prova que ele encontrará pão; ele pode morrer de fome numa jangada em pleno
Atlântico. Mas, com certeza, a fome de um homem prova que ele pertence a uma
espécie que restaura o corpo por meio de comida e habita num mundo onde existem
substâncias comestíveis. Da mesma maneira, embora eu não creia (quem me dera
que cresse!) que meu anseio pelo paraíso prove que eu vá usufruir dele, penso
ser um sinal bastante seguro de que existe algo parecido e de que alguns homens
irão encontrá-lo. Um homem pode apaixonar-se por uma mulher sem conquistá-la;
mas seria muito estranho se o fenômeno de ‘ficar apaixonado’ ocorresse num
mundo assexuado.

Extraído do livro que estou escrevendo: Ansiedade: Quando o homem duvida do caráter de Deus

Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

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