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Antonio Carlos Costa
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EVANGELIZAR NÃO É TUDO

By 26 de agosto de 2013 2 Comments

UnknownHá pouco tempo saiu dos meus lábios declaração nunca antes feita por mim e que jamais pensei que um dia fosse fazê-la. Num encontro em Recife disse que a evangelização não é a solução para os problemas políticos-sociais que estamos enfrentando no Brasil. Nem em lugar nenhum. 

Em primeiro lugar, pelo simples fato de a fé não ser de todos e de as Escrituras Sagradas ensinarem que a maior parte dos adultos não se convertará nunca. Isso é um fato teológico para o qual há ampla comprovação empírica. A igreja não é maioria em nenhum lugar do mundo. 

Em segundo lugar, o fato de pessoas terem sido evangelizadas e levadas à fé não significa que atuarão politicamente. Púlpito fraco, discipulado deficiente, condicionamento cultural, falta de interesse por boa literatura política, recusa de ler jornal, podem representar lá na ponta uma igreja verdadeira alienada politicamente.

Em terceiro lugar, o interesse político não significará que o convertido estará preparado para atuar em esfera profundamente dialética, cheia de contradições, na qual o utópico tem que tolerar o que a natureza humana não permite ter. Preparo para o engajamento nessa área demanda tempo, estudo, experiência de campo e bom enquadramento teológico para as questões políticas a ser feito por igreja ainda não dada a usar o cérebro.

A evangelização poderá representar a formação de um grupo de pressão política. Verdadeiros convertidos poderão ocupar posições estratégicas na sociedade. Bons crentes podem exercer influência positiva através do exercício de suas profissões. A evangelização sempre será a principal missão da igreja.

Se a desigualdade social nos perturba, se as graves violações dos direitos humanos nos revoltam, se os escândalos de corrupção fazem emergir no coração fome e sede de justiça, se sonhamos em ser igreja que combata as estruturas de poder que desgraçam a vida de milhares de pobres que gritam e não são ouvidos, certamente teremos que evangelizar, despertar o convertido para a dimensão pública da vida cristã, levá-lo a botar os pés literalmente na lama das favelas, ensiná-lo através de discipulado sólido a compreender as implicações políticas da crença na criação do homem à imagem e semelhança de Deus. Mais do que isso.

A igreja terá que entrar em diálogo com aqueles que não professam fé em Cristo, e mediante persuasão esperançosa baseada na graça comum, levar o não convertido a lutar por aquilo que é justo e bom. Não é esse o chamado da igreja, ser luz que desperta a consciência e faz o homem ver o que não consegue enxergar? Não são poucos que se juntarão à igreja. Há muita gente, por outro lado, fora dela fazendo o bem que a igreja não faz. Pronta para se juntar aos cristãos na trincheira da luta por uma sociedade mais fraterna, livre e igual.

Na Segunda Guerra Mundial cristãos e não cristãos lutaram lado a lado contra o Nazismo. 

 

Antônio C. Costa

 

Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

2 Comments

  • Ricardo Augusto Spinardi Bueno disse:

    Pastor Antônio Carlos, o Sr. foi bastante corajoso ao dizer de “que a evangelização não é a solução para os problemas políticos-sociais que estamos enfrentando no Brasil. Nem em lugar nenhum”.
    Concordo plenamente com o Sr. poderia mostrar pela Bíblia que com a instituição de um poder central (1 Samuel 8:1-22)e a formação de um “Estado de Israel” com o Rei Saul, consolidação do Estado com David e o apogeu com Salomão, fez com que a sociedade judaica igualitária e unida socialmente da época em que eram escravos no Egito e ao chegar na Terra Prometida todos receberam o mesmo tamanho de terras(Números 26:51-56) se transformasse a uma sociedade estratificada. Com o correr do tempo, as diferenças entre diferentes níveis sociais e as suas contradições internas foram se aprofundando até levar à divisão do território com os descendentes de Salomão.
    A incompatibilidade entre religião e política podemos notar quando os 2 se misturaram no período das governantes Hasmoneus de Jônatas(160 a.C.) até Herodes Arquelau (6 d.C.).
    Mas a ética Cristã tem que ser sim o nosso rumo e a nossa bússola, não precisamos ser políticos, mas se formos cidadãos exemplares já faríamos a diferença. E vou mais, acho que a Igreja tem sim um grande papel social só ela que pode vencer a guerra das DROGAS porque este Estado que temos hoje está vencendo e o seu sistema político de democracia representativa está falido e como Cristão podemos dar o exemplo de que a Democracia Participativa/Interativa poderia mudar e muito o nosso Mundo, não precisaríamos esperar a morte para ir para o Paraiso, faríamos ele aqui na Terra.

  • Joao Louro disse:

    Hmmm a foto em questão é da primeira guerra. Mas desconsidere… condiz com o texto mesmo assim.

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