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Antonio Carlos Costa
Devocional

GOSTARIA DE SER COMO NOÉ

By 27 de novembro de 2015 No Comments
Noahs-ark-james-edwin-mcconnellUma névoa baixou sobre o mundo ocidental há 15 dias. O atentado em Paris aponta para dias sombrios. Não há quem hoje consulte um jornal online e não aguarde se deparar com a notícia de mais um atentado terrorista. Teme-se o pior. Uma guerra nunca antes imaginada. Ninguém sabe o que fazer. Religião, desigualdade, política, economia, cultura, preconceito, xenofobia, ódio, incompreensão, violência, numa amálgama assustadora e macabra.
 
As Escrituras (Gênesis 6) descrevem os dias que antecederam o dilúvio como muito parecidos com o nosso tempo: "A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência". A morte de um homem, nos dias de hoje, não nos causa mais perturbação. Estamos perdendo a afeição natural. Aqueles sentimentos com os quais nascemos. Para tê-los, basta ser humano. Uma mutação está em curso.
 
Matar é provocar a Deus. O mais grave sintoma da corrupção moral de uma sociedade. Quem mata e deixa matar deve esperar uma resposta da santidade divina à maldade humana. Temos que interceder pelo planeta, não resta dúvida. Em especial, pelo Brasil dos quase 60 mil homicídios por ano. 
 
Falei com Deus hoje à tarde. Fiz a Ele a oferta da minha vida. Pedi para, nesses dias de confusão e expectativa de morte, ser útil. Combater as paixões que condicionam o pensamento, desviar-me de falar sobre o que não entendo, fugir de propor como solução o que é romântico, evitar oferecer como medida o que é cruel. E, amar, amar e amar. Não ter prazer em más notícias. Orar pelas autoridades públicas das grandes potências. Lutar efetivamente contra a cultura da morte.
 
Nos dias do primeiro e único julgamento universal da humanidade, levado a cabo pelo próprio Deus, Noé se destacava pela sua integridade: "Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus".
 
Que Deus levante Noés. Hoje, ser como Noé significa não se deixar corromper, desafiar a cultura da banalidade do mal, preservar o ser, manter a independência de pensamento, e ficar ao lado de um Deus que odeia ver o homem se comportando como lobo do homem.
 
Termino o dia, orando novamente: "Senhor Deus e Pai, gostaria de ser como Noé". 
 
 
Antônio Carlos Costa
 
 
Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

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