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Antonio Carlos Costa
Direitos humanosRio de Paz

HOMENAGEM AOS POLICIAIS MILITARES MORTOS EM 2015

By 2 de dezembro de 2015 One Comment

1418435881403Soubemos de policial militar que temeu que desistíssemos do ato público que anunciamos para o próximo dia 10, na praia de Copacabana, em memória dos policiais mortos em 2015. O motivo do receio deveu-se à operação policial ocorrida em Costa Barros, no sábado passado, na qual cinco jovens foram covardemente metralhados por policiais militares; ato de insanidade que levou à desgraça cinco famílias, que, a partir de agora, além de terem de conviver com a pobreza, terão de lidar com a lembrança de um pedaço delas que foi arrancado por agentes do próprio Estado. 

Houve também quem nos procurasse, perguntando se esse seria o melhor momento para lutarmos pelo direito dos policiais e prestarmos essa homenagem. Vamos manter a manifestação. Qual o motivo?

A razão pela qual não desistiremos do que prometemos à própria polícia fazer, reside no fato de ela também ser vítima. A causa do policial militar que atua na ponta, imerso na realidade das favelas do Rio de Janeiro, deveria estar na agenda da luta pelos direitos humanos. É inaceitável que não o façamos.

Estamos falando de pessoas que exercem a profissão mais difícil de ser exercida numa cidade como o Rio de Janeiro. Quem e o que está acima deles e os envia para cumprirem missão impossível? O peso da pacificação de uma cidade historicamente sanguinária está sobre os ombros apenas dos nossos policiais. Espera-se que, com uma pistola na mão, jovens tão pobres quanto muitos dos pobres que são assassinados em comunidades carentes, sejam a solução para os problemas criados por um Estado omisso e incompetente, capaz de ocupar com policiais uma favela, mas incapaz de fazer uma ocupação de médicos, engenheiros, assistentes sociais, professores -levando políticas públicas para esses cenários de exclusão e privação. 

Sábado que vem, visitaremos um policial militar que levou um tiro nas costas desferido por um bandido,  vindo a ficar paraplégico, o que também o fez perder o controle das fezes e da urina. Soubemos que ele não tem podido sair de casa por não ter dinheiro para comprar fralda. Vamos levar fralda para ele. Esse é ou não é mais um caso de violação de direito cometida pelo próprio Estado?

Faremos o protesto em Copacabana. Direitos humanos não pode ter lado. A justiça não pode ser seletiva. Vivemos numa cidade que sangra. Respira-se violência. Fazer pontes entre os homens, chorar cada morte, lutar pelos direitos de todos, são atitudes que promoverão a paz. 

 

Antônio Carlos Costa

 

Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

One Comment

  • Nilton Júnior disse:

    Acredito que uma luta não inviabiliza outra. Porém, há de se fazer ressalvas. Por exemplo, não adianta esse tipo de movimentação sem chamar a atenção para uma discussão sobre desmilitarização, política de segurança pública, capacitação dos policias e política de criminalização das drogas. Embora não exista uma vida que valha mais do que outra, as razões das mortes diferem bastante e não será usando as mesmas atitudes que enfrentaremos a mortandade que assola por diferentes motivos.
    Creio que devam existir policiais que estão cansados dessa lógica de extermínio da população pobre e negra. Seria IMPACTANTE ver policiais fazendo algum tipo de mobilização contra a mortalidade de inocentes nas favelas e contra as execuções sumárias, talvez o Rio de Paz possa tentar organizar isso.

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