Teologia

O DECRETO DIVINO E A ANSIEDADE HUMANA – PARTE I

By 21 de janeiro de 2009 No Comments

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Conforme
pudemos observar até aqui, toda a intenção de Cristo é ajudar os seus
discípulos a se livrarem das preocupações. Para isso, ele faz veementes apelos à capacidade de todos eles de raciocinar. Chama-os para a consideração da
doutrina da criação. Traz à memória de todos o fato de que Deus é o criador. Mas
não apenas isso. Ele é o Deus da providência – o Deus que cuida dos que criou.
Tamanho é o seu amor pelos seres que trouxe à existência que até os pardais não fogem a esse cuidado meticuloso que Deus tem pela sua criação. Porém, nem
tudo o que Deus criou tem o mesmo valor. O homem é revelado como aquele que é
objeto de um cuidado providencial em razão de um valor especial. Sua vida é
preciosa para o seu Deus. Para Cristo todas essas verdades representam motivos suficientes para o homem aprender a manter sua mente em algo mais
proveitoso do que suas preocupações. Há um Deus que o ama acima de tudo. Isso basta. 

O
Deus que é apresentado como o Deus da criação e Deus da providência, contudo, é
revelado como soberano. Soberanamente ele determina que os homens e os animais
terão que depender da natureza para sustentarem a chama da vida. Pela sua livre
determinação cria seres com capacidades diferentes e com nível de excelência
diferente. A dimensão que Cristo acrescenta a esse governo soberano é para
muitos uma das mais difíceis de ser compreendida. Deus estabeleceu, antes da
criar o homem, o tempo exato de vida de cada ser humano: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao
curso da sua vida?”

Parece
que somos levados de volta, nesse versículo, para a filosofia grega.
Encontramo-nos diante da ação inexorável do destino. Lá está o homem andando
até que se depara com um muro gigantesco e intransponível. Subitamente tem que
se ver face a face com a morte. Algo que surge arbitrariamente e faz com que o
homem se despeça de tudo que ama. A que conclusão parte da filosofia grega
chegou? O ato de se rebelar contra o destino é tolice. Nada, absolutamente nada, será
alterado na vida pela revolta humana com as determinações do destino. A nós só nos resta aquiescer. Buscar a chamada resignação. E não apenas isso. Diminuir
nossas expectativas com relação à vida. Desejar é sofrer, pois o homem tem que
viver uma vida que é cheia de contrariedade e lágrima. Será que é isso o que
Cristo quer nos ensinar nessa passagem?

A
primeira verdade que temos que observar é que essa limitação em face do decreto
divino é bem democrática: “Qual de
vós…?”
A resposta é óbvia. Ninguém. Todos os seres humanos tem que se
sujeitar a uma determinação soberana referente às suas vidas. Ricos e pobres,
grandes e pequenos, sábios e ignorantes, fortes e fracos, não receberam da vida
permissão para determinarem o tempo de residência no solo desse planeta. Dinheiro,
poder, inteligência e força  nada podem fazer para que o tempo de vida de um
homem seja maior do que aquele que foi fixado por Deus.

Extraído do livro: Ansiedade: Quando o Homem Duvida do Caráter de Deus.

Ps. Caríssimos amigos e irmãos: estou de férias. No meu retorno, em Fevereiro, estarei atualizando tudo o que está relacionado a mim na internet. Inclusive vídeos e áudios. Que beleza a posse do Obama e a presença de ministros do evangelho de Cristo na cerimônia. Que tristeza a morte do rapaz na Lapa. 23 anos e a vida interrompida por uma bala perdida. O que dizer do desabamento do teto da Igreja Renascer? Espero escrever algo em breve. Não deixem de orar por mim. Vivos os dias de maior desafio de toda a minha vida.

 

Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

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