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Antonio Carlos Costa
Teologia

O PRINCIPAL JÁ NOS FOI DADO

By 26 de novembro de 2008 No Comments

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Voltando ao texto. Temos que estar vivos primeiro para depois nos preocuparmos com a vida (como expressão da nossa vontade de viver) e por fim considerarmos e sairmos em busca daquilo que garante a nossa subsistência. A questão é: de onde procede a vida que agora temos? Onde estávamos quando esta vida foi concebida? Que influência exercemos sobre data, local e circunstância do nosso nascimento? Por que nossa vida não se resumiu a uma simples possibilidade na mente divina, tornando-nos uma espécie de aborto metafísico? Ou por que não vivenciamos a experiência do aborto literal? Que vida é essa que queremos que seja longa? De onde procedem os meios para a sua manutenção? Todas essas questões precisam estar presentes caso queiramos entender o caráter ilógico da ansiedade.

 Cristo chama a atenção dos seus discípulos para o milagre da existência. Essa é a pista para a compreensão do versículo 25. O milagre da existência aponta para uma extraordinária manifestação da providência divina. O que Cristo diz é que “a vida é mais…”.
Em primeiro lugar, a vida é um dom de Deus. Cristo quer chamar a atenção de todos para esse fato. A nossa existência trata-se de algo estupendo e ocorrido à nossa revelia. Não havia espaço para consulta prévia, pois tal procedimento requereria que fôssemos criados antes de sermos definitivamente criados, o que não faz sentido. Não podemos nem conceber o que escolheríamos, caso as nossas características pessoais tivessem que ser determinadas pela nossa livre escolha, porque o que pensamos hoje é justamente aquilo que resulta de todo um encadeamento histórico-genético extremamente complexo, levado a cabo pela mão soberana de Deus. Devemos a ele a vida e a forma da nossa existência. 

Como o ponto se aplica? Qual a relevância para a minha vida psicológica o fato de que Deus me deu vida? Precisamos entender que quando afirmamos que Deus nos deu vida na verdade estamos dizendo que ele nos tirou da esfera do não-ser para a do ser, pois eu não recebi a vida, simplesmente eu vivo, fui criado, tornei-me algo, e porque vivo penso, sinto e desejo. Em que isso me ajuda a não viver ansioso? Cristo quer ressaltar o fato de que o mesmo princípio soberano que operou no nosso nascimento, opera hoje e haverá de operar para sempre. Você e eu nada fizemos pela nossa criação. Simplesmente estamos aqui. Bom, se quando não éramos, decisões foram tomadas quanto à nossa vida, de acordo com uma vontade soberana, porque agora que somos deveríamos ficar aflitos quando sabemos que o mais importante nos foi dado sem a nossa participação?

Extraído do meu novo livro: Ansiedade: quando o homem duvida do caráter de Deus
Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

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