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Antonio Carlos Costa
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O SANTO E O MORALISTA

By 18 de dezembro de 2015 No Comments
250px-Punishment_sisyphHá uma diferença muito grande entre preocupar-se com a lei e ser legalista. As escrituras aprovam -a preocupação movida pelo amor- com o cumprimento da vontade moral de Deus; e, ao mesmo tempo, condenam a obsessão neurótica com a lei, movida pelo medo. Qual a diferença entre ser santo e ser legalista?
 
1. O santo se relaciona com Deus em amor. O moralista procura cumprir a lei em temor servil.
 
2. O santo vive em liberdade sob o espírito da lei, e não no claustro do detalhismo ético. Ele vê a moral cristã à luz do conjunto mais amplo de preceitos morais e do seu escopo principal: a glória de Deus e a felicidade humana; em vez de vê-la sob as trevas da meticulosidade ética, capaz de conduzi-lo à negligência do propósito essencial da lei.
 
3. O santo submete sua vida ao que as Escrituras revelam. O legalista procura impressionar a Deus com tolices criadas pelo homem. Para o santo, boa obra é apenas aquela que é praticada em amor e sujeição a preceito ético claramente revelado.
 
4. O santo sabe que entrará no reino dos céus pelo sacrifício de um outro que foi espancado e morto em seu lugar. O moralista não consegue entender uma relação com Deus que não seja baseada em desempenho.
 
5. O santo cai e se levanta, confiando mais na misericórdia de Deus do que na sua inocência. O moralista só se perdoa depois de haver expiado pessoalmente a sua culpa.
 
6. O santo se relaciona com Deus através de Cristo. O moralista se relaciona com Deus através da lei.
 
7. O santo ficou viúvo da lei e casou com Cristo. O moralista mantém o matrimônio com a senhora lei.
 
8. O santo é cara de pau. Participa da festa do amor do Pai como se nada tivesse acontecido. O moralista recusa-se ir para o salão de festa sem antes passar pela senzala.
 
9. O santo usa as Escrituras para revelar o amor gracioso de Deus pelos pecadores. O moralista usa a Bíblia para justificar a sessão de apedrejamento do que pecou.
 
10. O santo surpreende-se com a doçura da graça de Deus. O moralista espanta-se com a estreiteza do caminho que leva ao céu.
 
11. O santo é bom e justo. O moralista costuma ser apenas justo. Em suma, o santo é justo, o legalista é justiceiro.
 
12. As crianças adoram a companhia do santo. O moralista as espanta.
 
13. O santo não se sente livre para ser mau porque Deus é bom. O moralista tende a ser tão mau quanto o seu Deus.
 
14. O santo tem sempre alguém na vida com quem pode falar sobre suas fragilidades morais. O moralista procura ocultá-las até de si mesmo.
 
15. O santo encontrou na vida um Deus amável a quem cultua em amor. O moralista encontrou na vida um justiceiro celestial a quem cultua de olhos secos.
 
16. O santo é progressista. O moralista é conservador. O santo conserva o que ainda é útil, santo e bom. O moralista conserva o que é relativo, temporal e anacrônico.
 
17. O santo celebra a vida. O moralista só se sente bem quando está mal.
 
18. O santo não busca uma santificação que o desnaturalize. O moralista tenta viver como anjo
 
19. O santo surpreende-se com a condescendência divina face à sua fraqueza moral. O moralista não entende como não é mais abençoado face ao seu desempenho ético.
 
20. O santo se relaciona com Deus através de Cristo. O moralista se relaciona apenas com Deus. Por isso, o santo encontra o Pai, o moralista, o Diabo.
 
Antônio C. Costa
 
Obs. Trecho do livro que estou terminando de escrever, que será lançado ano que vem pela Editora Mundo Cristão. Contrato já assinado!
Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

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