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Antonio Carlos Costa
John StottTeologia

O ÚLTIMO ESCRITO DE JOHN STOTT (FINAL)

By 6 de junho de 2012 No Comments

5993158106_e397543bed_mJohn Stott afirma que uma das características mais proemintes do verdadeiro nascido de novo é a morte. O caminho para a vida é a morte. Não há salvação sem morte. Ninguém entra na vida se não morrer primeiro. O discipulado envolve morte também. Ele lembra Dietrich Bonhoeffer, no seu clássico, Discipulado: "Quando Cristo chama um homem, ele o convida a vir e morrer". 

Esse caminho não é o do masoquismo: "Jesus promete a verdadeira autodescoberta pelo preço da autonegação, a verdadeira vida pelo preço da morte". O que falar sobre esse convite neste contexto de cristianismo desfigurado, em que pregadores mimam suas congregações na perspectiva de as manterem cheias? Quantos membros de igreja no nosso país estão enfrentando a realidade da morte, que requer coragem para viver, em razão do grau de profundidade de sua identificação com Cristo?

A missão da igreja é levada a cabo mediante o alto preço do amor sacrificial da igreja. Ele cita Douglas Webster: "Mais cedo ou mais tarde, a missão leva à paixão. Nos padrões bíblicos… o servo deve sofrer… e isso faz a missão ser efetiva". Neste sentido, a perseguição é inevitável na vida do discipulo radical, podendo levar em alguns casos ao martírio.

A conclusão do seu último livro comove, especialmente, àqueles que, como eu, se alimentaram das suas palavras nos últimos 30 anos. Ele se despede dos seus leitores. Humanamente falando, resta-me dizer: que pena não o termos mais entre nós! Poucos souberam escrever com tamanha concisão, fidelidade às Escrituras, sabedoria, clareza, amplitude, polidez. Ele recomenda aos cristãos para lerem: "Nossos livros favoritos se tornam preciosos para nós e até desenvolvemos com eles um relacionamento quase intenso e afetuoso. Não é estranho o fato de manusearmos, riscarmos e até cheirarmos os livros como símbolo de nossa estima e afeição?" Isso me faz lembrar minha reação ao terminar de ler o terceiro volume de The Rational Biblical Theology of Jonathan Edwards, de John Gerstner. Eu caí de joelhos, beijei o livro e orei em agradecimento a Deus. Stott via os livros cristãos como meio de graça negligenciado. Eu completaria dizendo: deixar de ler John Stott é um grande desperdício.

Quando estive em All Souls, no centro de Londres, no início da década de 90, perguntei ao pastor da igreja sobre a importância de John Stott para a história do cristianismo, ao que ele me respondeu: "O John é a âncora da Inglaterra". Sim, ele ajudou a manter homens e mulheres, na Inglaterra e no mundo, fiéis ao cristianismo das páginas da Escrituras Sagradas.

Oro para expressar minha gratidão: "Pai santo, obrigado por teres separado a John Stott para instruir e edificar a todos quantos ansiaram por servir a Cristo a partir da fidelidade às Sagradas Escrituras".

 

Antônio Carlos Costa

 

 

Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

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