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Antonio Carlos Costa
Teologia

ESPERANÇA ADEQUADA

By 20 de novembro de 2008 No Comments

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Observe que nesse pequeno versículo estamos falando tanto da natureza quanto de economia, ciência, política e trabalho. Não é uma questão apenas de o universo funcionar bem. A própria vida em sociedade tem que ser vivida com um mínimo de civilidade para que tamanhas necessidades sejam supridas. Qual homem que sozinho consegue prover todas essas coisas para si mesmo? A natureza tem que funcionar bem. Mas, as sociedades humanas idem. Investigação científica terá que ser feita para que o homem extraia da natureza de modo auto-sustentado e mediante trabalho duro o necessário para viver. Uma forma justa e eficiente terá que ser encontrada para que essa riqueza seja produzida e bem distribuída. Veja: dependemos da terra e dos outros. Quem sabe tudo e produz tudo o que é necessário para a manutenção da sua vida? Porém, esse tipo de coisa demanda boas leis e bons governos. Que teia de relação! Tudo tem que estar funcionando de modo harmonioso. A preguiça e a doença podem tornar um homem pobre. Tragédias naturais podem arruinar cidades inteiras. Má gestão econômica pode gerar desigualdade social. Falta de investimento em educação pode produzir atraso tecnológico, deixando o homem à mercê da natureza. Maus governos podem levar ao colapso social. Quanta coisa depende da força finita do homem e mesmo assim quanto lhe escapa ao controle. 
Por tudo isso, Cristo trata de dar uma base adequada para a esperança. Quando falo de base adequada estou falando sobre algo que se adapte ao espírito humano ou à constituição humana. Muitas vezes são propostos aos homens motivos para a esperança que exigem a abdicação completa da sua natureza, demandando a crença no absurdo. Não é resposta para as indagações do espírito humano aquela que não satisfaça a razão. Algo que comece com a razão e termine sem ela (falo da incoerência pós-moderna). Usar a razão para negar a razão. Uma coisa que se inicia com raciocínio para no final dizer que se temos que esperar da vida alguma coisa a saída é saltarmos no escuro abdicando por completo da capacidade de raciocinar. O cristianismo não chama ninguém para viver uma espécie de experiência mística sem conteúdo proposicional, botar uma cunha entre a razão e a fé e preocupar-se em fabricar emoção sem produzir pensamento. A fé cristã não funciona na vida do que tem preguiça intelectual. Certamente trata-se de uma fé que está além da razão, mas não aquém da razão. Admito que o cristianismo não é só pensar bem, mas viver bem no poder do Espírito Santo. Deus, no entanto, criou o homem como um ser capaz de pensar, sentir e desejar. Falo da tríade tão conhecida de todos: razão, emoção e vontade. Qualquer falta de acordo entre estas esferas levará o homem e a mulher a uma cisão que não podem suportar – a não ser que não se importem em nivelar sua vida com a vida dos animais, algo tão presente no pensamento daqueles que aplicam o evolucionismo às questões humanas. Em toda a Bíblia essas três dimensões da alma humana são respeitadas. E isso numa extensão tal que o próprio Deus é revelado como alguém que não quer ser amado por um homem partido. O principal mandamento pede para que o ser humano integral entre em relação viva com o Deus que existe: “… Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força”. 
Mais um trecho do meu novo livro: Ansiedade: quando o homem duvida do caráter de Deus
Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

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